quarta-feira, 13 de junho de 2012

Para Villaverde, Parlamento deve priorizar debates dos grandes temas


 


Ao abrir a conferência “Uruguai – Rio Grande do Sul: Integração Solidária”, na terça-feira (08), Villa destacou a emoção e a honra de receber o presidente do Uruguai, José Mujica, no Parlamento gaúcho. “Esta Casa sente-se mais do que honrada, sente-se cheia de alegria e emocionada por receber uma personalidade política, um ser humano, um resistente aos regimes autoritários, um lutador e um construtor da democracia. É uma figura que representa de forma completa, universal e singela o que de melhor a vida humana pode produzir do ponto de vista dos compromissos, da generosidade e da maneira sincera de se relacionar”, declarou.
Villa também referiu as semelhanças e a afeição que os brasileiros, mas especialmente os gaúchos, nutrem pelo país vizinho. “Este pequeno estado deste grande país olha não só com carinho, não só com a relação fraterna como sempre olhou para Uruguai, mas o Rio Grande do Sul se espelha muito nessa relação cultural, política, de formação econômica e de pensamentos. Quem aqui não bebeu na fonte da cultura, na formação e no jeito da nossa Grande República Oriental do Uruguai”, observou.
O governador do estado, Tarso Genro, que já havia recebido Mujica no Palácio Piratini, poupou as palavras e foi breve em seu pronunciamento, apenas lembrando o forte sentimento do povo gaúcho pela presença do presidente uruguaio. “O presidente Mujica é um representante da humanidade. É um cidadão uruguaio que com sua personalidade se fez cidadão do mundo e um cidadão latino-americano que olha o mundo com os olhos uruguaios e da América Latina”, frisou.
Antes de iniciar seu pronunciamento, Mujica foi homenageado com a Medalha do Mérito Farroupilha, distinção máxima outorgada pelo Parlamento gaúcho. Mais cedo, no Palácio Piratini, Mujica havia recebido a Medalha do Ponche Verde, no Grau Gran Cruz. Ao chegar no Palácio Farroupilha, o presidente uruguaio foi recebido por uma apresentação de encontro de tambores, do Grupo Afro Odomodê e do Grupo Uruguaio de Candombe.
Durante seu pronunciamento, presidente uruguaio defendeu que a evolução das condições materiais deve servir para construirmos uma sociedade melhor, ao explicar que o ser humano vive entre duas situações naturais opostas: o egoísmo (defender nossa vida e a vida de nossas famílias) e a solidariedade (necessidade de viver em sociedade). “É nesse pêndulo entre o egoísmo natural e a solidariedade natural que se constrói a história e que se move a história humana”, explicou.
Lembrando a rivalidade entre os times gaúchos (Inter e Grêmio), Mujica explicou que ela surge porque precisamos de uma tribo, herança genética que carregamos desde os tempos pré-históricos. Ele ainda cumprimentou os compatriotas que assistiram à conferência, muitos dos quais passaram boa parte de sua vida no Rio Grande do Sul, como exilados políticos. E destacou as riquezas naturais e os recursos humanos dos países latino-americanos. “É esse patrimônio junto com a inteligência de nossa gente que temos que defender”, disse.
Além de deputados e secretários estaduais, participaram da conferência o ministro das Relações Exteriores do Uruguai, embaixador Luis Almagro; o embaixador do Brasil no Uruguai, João Carlos de Souza-Gomes; o embaixador do Uruguai no Brasil, Carlos Amorín; além de ministros, vice-ministros, intendentes e demais autoridades uruguaias que compõem a comitiva presidencial.

Histórico
José Alberto Mujica Cordano nasceu em Montevidéu, em 20 de maio de 1935. Na juventude, militou no Partido Nacional, tradicional grupo político uruguaio. Na década de 60 fez parte do grupo de históricos fundadores do Movimento de Libertação Nacional Tupamaros (MLN-T). Devido a sua forte atuação política contra a ditadura militar, esteve preso por 14 anos em diversas unidades militares. Em 1985, com o retorno da ordem democrática no Uruguai, Mujica foi libertado, juntamente como outros presos políticos favorecidos pela anistia.
Antes de ser eleito presidente do Uruguai, Mujica integrou o Poder Legislativo de seu país em três ocasiões. De 1995 a 2000, assumiu o cargo de deputado na Câmara de Representantes. De 2000 a 2005, foi eleito senador e, de 2005 a 2010, reeleito para a Câmara de Senadores. Nesses períodos, Mujica exerceu o cargo de presidente da Assembleia Geral e da Câmara de Senadores. De 2005 a 2008, designado pelo presidente Tabaré Vásquez, Mujica assumiu como ministro de Pecuária, Agricultura e Pesca. Nas eleições nacionais de 29 de novembro de 2009, foi escolhido para ser o chefe máximo do País pelo período de 2010 a 2015. 
Fonte: Site Adão Villaverde

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