É o Polo Naval de Rio Grande que será beneficiado com a extinção da
Companhia Administradora de Processamento de Exportação do Rio Grande
(Zoperg), aprovada pela Assembleia Legislativa na tarde desta
terça-feira (13). A sociedade de economia mista, criada em 1994 para
auxiliar na instalação de novas empresas em sua área industrial, não
cumpriu com seu propósito. No decorrer de seus 18 anos de existência,
nenhuma empresa se estabeleceu no local. Por isso, os próprios
acionistas solicitaram ao Executivo gaúcho, no final do ano passado, a
extinção da Zoperg.
Com a aprovação do
projeto apresentado pelo governo Tarso, mais de 450 hectares
pertencentes à Zona de Processamento de Exportação serão transformados
em área de expansão do Distrito Industrial do Rio Grande, favorecendo a
instalação de sistemistas do Polo Naval. “A medida cria condições para a
ampliação da indústria oceânica no Rio Grande do Sul, permitindo a
instalação de empresas fornecedoras de bens e serviços perto do Polo
Naval. Isso significa a redução de custos do produto final e o aumento
da competitividade do Polo Naval de Rio Grande”, pondera o deputado Raul
Pont (PT).
O projeto foi aprovado por 41 votos
a seis. Apenas os deputados do PP (Adolfo Brito, Ernani Polo, Frederico
Antunes, João Fischer, Pedro Westplalen e Silvana Covatti) votaram
contra a proposta.
Breve histórico da nova cadeia produtiva gaúcha
Nos
anos 70, a indústria naval brasileira chegou a ser a segunda maior do
mundo. Nas décadas seguintes, no entanto, a atividade despencou. Em
2002, ocupava apenas 1900 trabalhadores em todo o País.
A
partir do primeiro governo Lula, o setor ganhou um sopro de vida com a
criação do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e
Gás Natural, cujo principal propósito foi colocar em prática o
compromisso assumido por Lula na campanha: recuperar o setor naval e
impulsionar a cadeia produtiva em bases competitivas e sustentáveis.
Na
mesma época, a Petrobras confirmou a existência de jazidas de petróleo
na camada do pré-sal localizada em águas territoriais brasileiras. A
empresa estima um volume que pode chegar a 16 bilhões de barris de
petróleo e gás só nas bacias de Santos e Campos, o suficiente para o
Brasil dobrar suas reservas.
O desafio na
extração deste volume levou a estatal a investir maciçamente na
construção de novas plataformas, navios e embarcações. O porto de Rio
Grande, que já era o segundo maior do Brasil em movimento de cargas,
virou referência como polo naval a partir da montagem da plataforma
P-53.
Com isso, foram abertas enormes
oportunidades de expansão, mas que ainda não vem sendo aproveitadas
pelas empresas locais. Hoje, das cinco mil empresas fornecedoras de
insumos do polo, pouco mais de 100 são do Rio Grande do Sul. O mesmo
ocorre na cadeia dos fornecedores da Petrobras. No máximo, 3% dos
produtos e serviços utilizados pela estatal provêm de empresas gaúchas.
O
projeto aprovado, segundo Pont, é um passo importante para superar os
gargalos que ainda dificultam a inserção de empresas locais nova cadeia
produtiva no Rio Grande do Sul.
Fonte: PT Sul
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