terça-feira, 12 de junho de 2012

Área sem uso há 18 anos em Rio Grande irá abrigar sistemistas do Polo Naval

 
 
É o Polo Naval de Rio Grande que será beneficiado com a extinção da Companhia Administradora de Processamento de Exportação do Rio Grande (Zoperg), aprovada pela Assembleia Legislativa na tarde desta terça-feira (13). A sociedade de economia mista, criada em 1994 para auxiliar na instalação de novas empresas em sua área industrial, não cumpriu com seu propósito. No decorrer de seus 18 anos de existência, nenhuma empresa se estabeleceu no local. Por isso, os próprios acionistas solicitaram ao Executivo gaúcho, no final do ano passado, a extinção da Zoperg.

Com a aprovação do projeto apresentado pelo governo Tarso,  mais de 450 hectares pertencentes à Zona de Processamento de Exportação serão transformados em área de expansão do Distrito Industrial do Rio Grande, favorecendo a instalação de sistemistas do Polo Naval. “A medida cria condições para a ampliação da indústria oceânica no Rio Grande do Sul, permitindo a instalação de empresas fornecedoras de bens e serviços perto do Polo Naval. Isso significa a redução de custos do produto final e o aumento da competitividade do Polo Naval de Rio Grande”, pondera o deputado Raul Pont (PT).

O projeto foi aprovado por 41 votos a seis. Apenas os deputados do PP (Adolfo Brito, Ernani Polo, Frederico Antunes, João Fischer, Pedro Westplalen e Silvana Covatti) votaram contra a proposta.

Breve histórico da nova cadeia produtiva gaúcha

Nos anos 70, a indústria naval brasileira chegou a ser a segunda maior do mundo. Nas décadas seguintes, no entanto, a atividade despencou. Em 2002, ocupava apenas 1900 trabalhadores em todo o País.

A partir do primeiro governo Lula, o setor ganhou um sopro de vida com a criação do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural, cujo principal propósito foi colocar em prática o compromisso assumido por Lula na campanha: recuperar o setor naval e impulsionar a cadeia produtiva em bases competitivas e sustentáveis.

Na mesma época, a Petrobras confirmou a existência de jazidas de petróleo na camada do pré-sal localizada em águas territoriais brasileiras. A empresa estima um volume que pode chegar a 16 bilhões de barris de petróleo e gás só nas bacias de Santos e Campos, o suficiente para o Brasil dobrar suas reservas.

O desafio na extração deste volume levou a estatal a investir maciçamente na construção de novas plataformas, navios e embarcações. O porto de Rio Grande, que já era o segundo maior do Brasil em movimento de cargas, virou referência como polo naval a partir da montagem da plataforma P-53.

Com isso, foram abertas enormes oportunidades de expansão, mas que ainda não vem sendo aproveitadas pelas empresas locais. Hoje, das cinco mil empresas fornecedoras de insumos do polo, pouco mais de 100 são do Rio Grande do Sul. O mesmo ocorre na cadeia dos fornecedores da Petrobras. No máximo, 3% dos produtos e serviços utilizados pela estatal provêm de empresas gaúchas.

O projeto aprovado, segundo Pont, é um passo importante para superar os gargalos que ainda dificultam a inserção de empresas locais  nova cadeia produtiva no Rio Grande do Sul.
Fonte: PT Sul

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