segunda-feira, 16 de julho de 2012

DSM: 158 a BR que passou a existir

Por mais de 40 anos, falava-se da BR asfaltada que iria se tornar realidade entre Santa Maria e Rosário do Sul. Mas a estrada não existia na prática, era apenas um caminho de terra e um atoleiro em dias de chuva. Em 26 de setembro de 2008, essa realidade mudou: a rodovia foi inaugurada, com asfalto e sinalização em excelentes condições. Passados quatro anos, a Faixa de Rosário continua sendo uma boa alternativa para quem sai do centro do Estado em direção à fronteira com o Uruguai.
Durante décadas, nada aconteceu na estrada entre Santa Maria e Rosário do Sul. Os mais velhos chegam a comentar que a promessa de que iria ser construída uma rodovia vinha desde o tempo em que Getúlio Vargas era presidente da República. A construção mesmo começou na década de 80, pelas “pontas”. Somente 18 quilômetros saindo de Santa Maria e outros 17, em Rosário do Sul, chegaram a ser asfaltados à época. No decorrer dos anos, até houve obras, mas elas pararam inúmeras vezes. Ao longo da estrada, restaram materiais abandonados e estacas de demarcação.
A mudança de cenário aconteceu em julho de 2004, quando as obras foram retomadas e não pararam mais até a conclusão dos trabalhos. Logo que a construção da rodovia começou a ser tocada novamente, o Diário percorreu toda a extensão da estrada. As reportagens foram publicadas em uma série batizada de A BR que Não Existe, que mostrou que ainda havia muito a fazer.
Em 2007, o Diário voltou à estrada, e faltavam somente 37 quilômetros de asfalto. Foi numa manhã fria de 31 de junho de 2007, quando fazia aproximadamente 5ºC, que o Diário encontrou as irmãs Luiza Ferreira Pujol, então com 52 anos, e Elsa Ferreira da Silva, com 65 na época. Elas estavam lavando roupas em um pequeno açude, em Cacequi, e acreditavam que aquela água não faria mais parte da propriedade de Luiza depois que a estrada ficasse pronta. Na época, as irmãs já questionavam se iriam receber indenização do governo federal porque perderam parte de suas terras.
O progresso chegou, mas houve quem ficou no prejuízo
O asfalto chegou em 2008, a estrada ficou pronta e trouxe muito progresso. Luiza, hoje com 56 anos, e o marido, Francisco Pujol, 70, passaram a ter luz elétrica, e o transporte ficou mais fácil para Cacequi, Santa Maria, Rosário do Sul, Dilermando de Aguiar e São Gabriel. As visitas dos parentes também passaram a ser mais frequentes. Mas nem tudo foi alegria. O casal perdeu aproximadamente meio hectare de terra para a estrada, inclusive o pequeno açude de onde se tirava a água e onde se lavava a roupa.
– Ainda temos esperança de ganhar uma indenização – diz Luiza.
Vizinha do casal Luiza e Francisco, Elsa Ferreira da Silva, hoje com 70 anos, também perdeu cerca de meio hectare. Ela também não lava mais roupa no velho açude. Atualmente, a água vem de um poço artesiano.
Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Porto Alegre, as pessoas que não receberam indenização devem procurar a instituição para fazer essa reivindicação.
Apesar das reclamações de quem não recebeu indenização, a rodovia, em geral, trouxe benefícios. Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de Santa Maria, Paulo Brondani, a conclusão da BR-158 foi um impulso econômico para a cidade e a região.
– O caminho até a Fronteira encurtou. Claro que a consequência é um frete mais barato. No final, todos os consumidores são beneficiados por produtos de preço mais baixo. A 158 foi uma obra marcante e continua trazendo progresso – diz Paulo Brondani, acrescentando que a BR-158 é uma alternativa de viagem bem mais segura do que os caminhos usados antes da chegada do asfalto.
O deputado federal Paulo Pimenta (PT), que elegeu como principal bandeira de seu mandato a conclusão da BR-158, relata o que impulsionou o término da obra depois de décadas de espera.
– O grande diferencial foi a inclusão da obra da 158 no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em 2006. A partir daí, não faltaram mais recursos, e o ritmo das obras não diminuiu – diz o deputado.
O certo é que, desde setembro de 2008, a viagem até a fronteira com o Uruguai, partindo de Santa Maria, diminuiu em cerca de 40 quilômetros – a estrada virou rota para Rivera. E ficou bem mais segura.

Fonte: Site Dep Paulo Pimenta

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