Por mais de 40 anos, falava-se da BR asfaltada que iria se tornar
realidade entre Santa Maria e Rosário do Sul. Mas a estrada não existia
na prática, era apenas um caminho de terra e um atoleiro em dias de
chuva. Em 26 de setembro de 2008, essa realidade mudou: a rodovia foi
inaugurada, com asfalto e sinalização em excelentes condições. Passados
quatro anos, a Faixa de Rosário continua sendo uma boa alternativa para
quem sai do centro do Estado em direção à fronteira com o Uruguai.
Durante décadas, nada aconteceu na estrada entre Santa Maria e
Rosário do Sul. Os mais velhos chegam a comentar que a promessa de que
iria ser construída uma rodovia vinha desde o tempo em que Getúlio
Vargas era presidente da República. A construção mesmo começou na década
de 80, pelas “pontas”. Somente 18 quilômetros saindo de Santa Maria e
outros 17, em Rosário do Sul, chegaram a ser asfaltados à época. No
decorrer dos anos, até houve obras, mas elas pararam inúmeras vezes. Ao
longo da estrada, restaram materiais abandonados e estacas de
demarcação.
A mudança de cenário aconteceu em julho de 2004, quando as obras
foram retomadas e não pararam mais até a conclusão dos trabalhos. Logo
que a construção da rodovia começou a ser tocada novamente, o Diário
percorreu toda a extensão da estrada. As reportagens foram publicadas em
uma série batizada de A BR que Não Existe, que mostrou que ainda havia
muito a fazer.
Em 2007, o Diário voltou à estrada, e faltavam somente 37 quilômetros
de asfalto. Foi numa manhã fria de 31 de junho de 2007, quando fazia
aproximadamente 5ºC, que o Diário encontrou as irmãs Luiza Ferreira
Pujol, então com 52 anos, e Elsa Ferreira da Silva, com 65 na época.
Elas estavam lavando roupas em um pequeno açude, em Cacequi, e
acreditavam que aquela água não faria mais parte da propriedade de Luiza
depois que a estrada ficasse pronta. Na época, as irmãs já questionavam
se iriam receber indenização do governo federal porque perderam parte
de suas terras.
O progresso chegou, mas houve quem ficou no prejuízo
O asfalto chegou em 2008, a estrada ficou pronta e trouxe muito
progresso. Luiza, hoje com 56 anos, e o marido, Francisco Pujol, 70,
passaram a ter luz elétrica, e o transporte ficou mais fácil para
Cacequi, Santa Maria, Rosário do Sul, Dilermando de Aguiar e São
Gabriel. As visitas dos parentes também passaram a ser mais frequentes.
Mas nem tudo foi alegria. O casal perdeu aproximadamente meio hectare de
terra para a estrada, inclusive o pequeno açude de onde se tirava a
água e onde se lavava a roupa.
– Ainda temos esperança de ganhar uma indenização – diz Luiza.
Vizinha do casal Luiza e Francisco, Elsa Ferreira da Silva, hoje com
70 anos, também perdeu cerca de meio hectare. Ela também não lava mais
roupa no velho açude. Atualmente, a água vem de um poço artesiano.
Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes
(Dnit) em Porto Alegre, as pessoas que não receberam indenização devem
procurar a instituição para fazer essa reivindicação.
Apesar das reclamações de quem não recebeu indenização, a rodovia, em
geral, trouxe benefícios. Segundo o presidente do Sindicato das
Empresas de Transportes de Cargas de Santa Maria, Paulo Brondani, a
conclusão da BR-158 foi um impulso econômico para a cidade e a região.
– O caminho até a Fronteira encurtou. Claro que a consequência é um
frete mais barato. No final, todos os consumidores são beneficiados por
produtos de preço mais baixo. A 158 foi uma obra marcante e continua
trazendo progresso – diz Paulo Brondani, acrescentando que a BR-158 é
uma alternativa de viagem bem mais segura do que os caminhos usados
antes da chegada do asfalto.
O deputado federal Paulo Pimenta (PT), que elegeu como principal
bandeira de seu mandato a conclusão da BR-158, relata o que impulsionou o
término da obra depois de décadas de espera.
– O grande diferencial foi a inclusão da obra da 158 no PAC (Programa
de Aceleração do Crescimento) em 2006. A partir daí, não faltaram mais
recursos, e o ritmo das obras não diminuiu – diz o deputado.
O certo é que, desde setembro de 2008, a viagem até a fronteira com o
Uruguai, partindo de Santa Maria, diminuiu em cerca de 40 quilômetros –
a estrada virou rota para Rivera. E ficou bem mais segura.
Fonte: Site Dep Paulo Pimenta
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